Cortar o cabelo ou aparar as unhas faz parte da rotina, mas você já parou para pensar por que essas estruturas podem ser cortadas sem provocar dor? A resposta está relacionada à maneira como elas são formadas.
A Histologia, área que estuda os tecidos do organismo em nível microscópico, ajuda a entender essa diferença.
Neste artigo, você vai descobrir o que existe no cabelo e nas unhas, qual é o papel da queratina e por que cortar essas estruturas não provoca a mesma sensação de quando uma região viva do corpo é lesionada. Boa leitura!
- 1 Por que cortar cabelo e unha não causa dor?
- 2 O que a Histologia explica sobre cabelo e unhas?
- 3 Por que arrancar um fio de cabelo pode doer?
- 4 E por que cortar a unha também não dói?
- 5 Onde estão os nervos e vasos sanguíneos relacionados ao cabelo e às unhas?
- 6 Cabelo e unha estão vivos ou mortos?
- 7 Curiosidades sobre cabelo, unhas e o corpo humano
- 8 Conheça mais sobre a Formação Médica na Anhanguera!
Por que cortar cabelo e unha não causa dor?
A principal explicação está no fato de que a parte do cabelo e da unha que normalmente cortamos é formada, em grande parte, por células queratinizadas que já não possuem atividade celular.
No cabelo, isso corresponde principalmente ao fio que fica para fora da pele. Na unha, é a chamada lâmina ungueal, aquela parte dura que cresce sobre a ponta dos dedos.
Essas estruturas são resistentes porque suas células passam por um processo chamado queratinização. Durante esse processo, elas acumulam queratina e sofrem alterações que fazem com que a estrutura madura deixe de apresentar células vivas.
Por isso, cortar a parte externa do cabelo ou da unha não estimula os receptores responsáveis pela percepção da dor.
Isso não significa, porém, que todo o sistema relacionado a essas estruturas seja insensível. O cabelo se desenvolve a partir do folículo piloso, dentro da pele, enquanto a unha possui estruturas vivas abaixo e ao redor da lâmina.
É por isso que puxar um cabelo pela raiz ou cortar a unha muito profundamente pode doer: nesses casos, o estímulo pode atingir tecidos que possuem terminações nervosas.
O que a Histologia explica sobre cabelo e unhas?
A Histologia permite observar como diferentes tecidos são organizados e quais características microscópicas explicam suas funções.
No caso do cabelo e das unhas, um dos principais conceitos envolvidos é a queratinização. As células que dão origem a essas estruturas passam por um processo de diferenciação e acumulam proteínas estruturais, principalmente a queratina.
O resultado é uma estrutura resistente, capaz de cumprir funções como proteção e interação com o ambiente sem precisar permanecer formada por células vivas em toda a sua extensão.
Embora cabelo e unhas tenham algumas características em comum, eles não são exatamente iguais. O cabelo é produzido no interior do folículo piloso, enquanto a unha se desenvolve a partir da matriz ungueal.
Essa diferença também explica por que cortar o fio de cabelo e aparar a ponta da unha não provoca dor, mas lesionar a região onde essas estruturas se formam pode causar desconforto.
Queratina: a proteína que dá resistência a essas estruturas
A queratina é uma proteína estrutural encontrada em diferentes partes do organismo, especialmente em estruturas como cabelos, unhas e na camada mais externa da pele.
No cabelo e nas unhas, ela contribui para a resistência e a estabilidade da estrutura. Durante a formação dessas regiões, as células acumulam queratina e passam por um processo de maturação que resulta no tecido queratinizado.
É justamente essa composição que permite que o cabelo seja cortado com uma tesoura e que as unhas possam ser aparadas regularmente sem que isso provoque dor.
A queratina também está relacionada à proteção. No caso das unhas, a estrutura rígida ajuda a proteger a extremidade dos dedos. Já o cabelo, além de outras funções, contribui para a proteção do couro cabeludo.
O que existe dentro do fio de cabelo?
O fio de cabelo que conseguimos tocar e cortar é chamado de haste capilar. Ele é formado por células queratinizadas e pode ser dividido, de maneira simplificada, em três regiões principais:
| Região | Característica |
| Cutícula | Camada mais externa, formada por células sobrepostas que ajudam a proteger o fio |
| Córtex | Região intermediária, responsável por grande parte da resistência e das características do cabelo |
| Medula | Região mais interna, que pode estar presente de forma contínua, descontínua ou até ausente, dependendo do tipo de fio |
A parte externa do fio não possui vasos sanguíneos nem terminações nervosas. Por isso, cortar a haste não provoca dor nem sangramento.
A situação é diferente dentro da pele. O fio se origina no folículo piloso, uma estrutura que envolve a raiz e está associada a tecidos vivos, vasos e terminações nervosas.
É também por isso que pentear ou tocar o cabelo normalmente não dói, mas puxar um fio com força pode provocar uma sensação dolorosa. Nesse caso, o estímulo é transmitido por estruturas nervosas presentes na região do folículo, e não pelo fio de cabelo em si.
Por que arrancar um fio de cabelo pode doer?
Se o fio de cabelo não possui terminações nervosas, por que arrancá-lo pode causar dor? A resposta está no local onde o fio é produzido: o folículo piloso.
A raiz do cabelo fica dentro desse folículo, localizado na pele. Ao puxar um fio com força, o movimento pode estimular as terminações nervosas presentes ao redor do folículo e dos tecidos próximos.
Por isso, existe uma diferença importante entre cortar e arrancar:
- Cortar a haste: não costuma provocar dor, pois a parte externa do fio é formada por células queratinizadas.
- Puxar o fio: pode causar dor porque o estímulo mecânico alcança tecidos vivos e estruturas nervosas próximas ao folículo.
O próprio folículo também está associado a músculos e outras estruturas da pele. Um exemplo é o músculo eretor do pêlo, responsável pelo fenômeno conhecido popularmente como “arrepio”.
E por que cortar a unha também não dói?
A parte que normalmente cortamos é a lâmina ungueal, uma estrutura rígida formada principalmente por células queratinizadas.
Assim como acontece com a haste do cabelo, as células que compõem a lâmina ungueal passaram por um processo de queratinização. Por isso, cortar a ponta da unha não costuma provocar dor.
Por baixo e ao redor dessa lâmina, porém, existem estruturas vivas. A unha se desenvolve principalmente a partir da matriz ungueal, localizada na região proximal, próxima à base da unha.
A lâmina cresce continuamente à medida que novas células são produzidas na matriz e empurram as estruturas mais antigas para a frente.
O que acontece quando cortamos a unha muito perto da pele?
Quando a unha é cortada excessivamente rente à pele, o corte pode atingir ou pressionar tecidos que possuem terminações nervosas. É nesse momento que podem surgir dor, sensibilidade ou até sangramento.
Isso explica por que cortar a parte branca da unha geralmente não provoca desconforto, enquanto lesionar a região abaixo dela pode ser bastante doloroso.
A chamada região subungueal, localizada sob a lâmina, possui tecidos vivos e é muito mais sensível. Além disso, a pele ao redor da unha também contém nervos e vasos sanguíneos.
Por isso, o ideal é evitar cortes que ultrapassem a região segura da lâmina e provoquem lesões na pele ou no tecido abaixo da unha.
Onde estão os nervos e vasos sanguíneos relacionados ao cabelo e às unhas?
Tanto o cabelo quanto as unhas estão associados a estruturas vivas que ficam dentro ou próximas da pele.
No caso do cabelo, o folículo piloso recebe irrigação sanguínea por meio de vasos presentes na região e possui terminações nervosas ao redor de sua estrutura. A matriz do pelo, localizada na porção mais profunda do folículo, é responsável pela produção das células que darão origem ao fio.
Nas unhas, os vasos e nervos estão principalmente nos tecidos vivos abaixo e ao redor da lâmina. A matriz ungueal é uma das estruturas mais importantes para o crescimento da unha e também possui suprimento sanguíneo e inervação.
Uma forma simples de visualizar essa diferença é:
| Estrutura | Possui tecidos vivos e inervados? | Cortar provoca dor? |
| Haste do cabelo | Não, em sua porção externa | Não |
| Folículo piloso | Sim | Pode doer quando estimulado |
| Lâmina ungueal | Não, na parte queratinizada | Não |
| Matriz ungueal | Sim | Lesões podem ser dolorosas |
| Tecido sob a unha | Sim | Pode doer quando lesionado |
Essa organização microscópica explica por que podemos cortar cabelo e unhas regularmente, mas precisamos ter cuidado com as estruturas que ficam abaixo deles.
Cabelo e unha estão vivos ou mortos?
Dizer que cabelo e unha são “mortos” é uma maneira simplificada de explicar o fenômeno, mas não significa que todas as estruturas relacionadas a eles estejam mortas.
A haste do cabelo e a lâmina ungueal são formadas predominantemente por células queratinizadas que já não apresentam atividade celular como as células vivas dos tecidos internos.
Por outro lado, o folículo piloso, a matriz do pelo, a matriz ungueal e os tecidos ao redor das unhas são estruturas vivas e metabolicamente ativas.
Essa diferença é justamente o que permite cortar cabelo e unhas sem sentir dor. Estamos removendo uma parte queratinizada que fica na superfície, enquanto as estruturas responsáveis pelo crescimento permanecem preservadas.
É um exemplo simples de como a organização dos tecidos, estudada pela Histologia, ajuda a explicar situações que fazem parte do cotidiano.
Curiosidades sobre cabelo, unhas e o corpo humano
A estrutura do cabelo e das unhas envolve mecanismos que vão muito além do que conseguimos observar a olho nu. Confira algumas curiosidades:
- O cabelo cresce a partir de células produzidas dentro do folículo piloso, e não pela extremidade do fio.
- A unha cresce a partir da matriz ungueal, localizada na região próxima à sua base.
- A queratina também está presente na camada mais externa da pele, contribuindo para sua função de proteção.
- A haste do cabelo pode apresentar diferentes espessuras, formatos e características de acordo com fatores genéticos e outros aspectos.
- As unhas das mãos geralmente crescem mais rapidamente do que as unhas dos pés.
- O cabelo pode ficar temporariamente arrepiado pela contração do músculo eretor do pelo, estrutura associada ao folículo piloso.
Esses exemplos mostram como estruturas que parecem simples são, na verdade, resultado de processos celulares bastante organizados.
O que um estudante de Medicina aprende com esse exemplo de Histologia?
Cabelo e unhas são exemplos simples de como a Histologia pode ajudar a explicar fenômenos que observamos no dia a dia. Ao estudar os tecidos em nível microscópico, o estudante passa a compreender por que diferentes estruturas do organismo apresentam características tão distintas.
Nesse caso, alguns conceitos importantes estão relacionados à queratinização, diferenciação celular, inervação e vascularização.
Esse conhecimento também ajuda a entender que uma estrutura pode estar associada a tecidos vivos sem que todas as suas partes sejam compostas por células vivas. É justamente essa organização que explica a diferença entre cortar a haste do cabelo e lesionar o folículo, por exemplo.
Durante a formação médica, conhecimentos como esses servem de base para disciplinas posteriores e ajudam o futuro profissional a interpretar alterações que envolvem pele, anexos cutâneos e outros tecidos do organismo.
Conheça mais sobre a Formação Médica na Anhanguera!
Entender por que cabelo e unhas não doem quando são cortados pode parecer uma simples curiosidade. Porém, a explicação envolve conceitos fundamentais de Histologia, como células, tecidos, queratinização, inervação e vascularização.
Para quem deseja cursar Medicina, aprender a observar esses detalhes é parte da construção do conhecimento sobre o corpo humano.
Na Anhanguera, a formação médica proporciona contato com diferentes áreas do conhecimento necessárias para compreender o organismo e desenvolver o raciocínio clínico ao longo da graduação.
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